O mercado imobiliário brasileiro entra em 2026 com sinais claros de expansão, combinando ajustes macroeconômicos, medidas regulatórias e políticas públicas voltadas à habitação.
A expectativa de queda gradual da taxa Selic, estimada para encerrar o período em torno de 12,25%, e o aumento do orçamento para habitação tendem a destravar decisões de compra que vinham sendo adiadas.
Esses movimentos já mudam o comportamento do comprador, que antecipa decisões diante de um ambiente de crédito mais acessível, conforme informação divulgada por Eluan Carlos
Juros, crédito e o papel do programa habitacional
A combinação entre sinalização de juros mais baixos e medidas para ampliar o crédito é o principal motor da retomada. Além da expectativa em torno de 12,25%, houve aprovação de um novo modelo que amplia a flexibilidade no uso dos recursos da poupança, beneficiando o funding do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo).
Na prática, isso reduz o custo de captação dos bancos e aumenta a capacidade de concessão de crédito hipotecário, um gargalo que limitou o setor nos últimos anos.
Ao mesmo tempo, o reforço do programa Minha Casa Minha Vida ocupa papel central na política habitacional, com meta ampliada de contratação de até 1 milhão de unidades, ante uma média aproximada de 700 mil unidades nos ciclos anteriores.
Por que antecipar a compra pode ser vantajoso
Em ciclos de recuperação, a demanda tende a reagir mais rápido do que a oferta, especialmente em segmentos com estoque limitado. Quando sinais de melhora no crédito se tornam claros, muitos compradores optam por antecipar a aquisição para evitar alta de preços.
Estratégias como portabilidade e renegociação de contratos passam a ganhar espaço em momento posterior, quando o novo patamar de juros estiver consolidado, mas a decisão de compra costuma ocorrer antes, por precaução e por busca de oportunidade.
Impacto na cadeia da construção e no emprego
O aumento das contratações no Minha Casa Minha Vida e o fluxo maior de crédito têm efeito direto em toda a cadeia produtiva da construção civil, do financiamento à execução das obras, gerando emprego e demanda por insumos.
O uso ampliado do FGTS em programas habitacionais também é citado como fator crucial para a viabilização dos projetos, pois amplia o alcance das políticas públicas além do efeito direto da taxa básica de juros.
Riscos, gargalos e o que observar antes de decidir
Apesar do cenário predominantemente positivo, existem riscos. Se a expansão do crédito não for acompanhada por capacidade operacional, podem surgir atrasos e restrições pontuais, o que exigirá atenção de compradores e incorporadoras.
Regiões com estoque reduzido correm maior risco de valorização acelerada, situação já observada em ciclos anteriores, inclusive no período pós-pandemia.
Para quem pensa em compra de imóveis é recomendável avaliar timing, disponibilidade de oferta local, condições de financiamento e a dinâmica dos programas habitacionais, buscando informações atualizadas antes de fechar negócio.
Segundo Murilo Arjona, especialista em financiamento imobiliário, é a leitura correta do ciclo, aliada a planejamento e informação, que fará a diferença entre aproveitar oportunidades ou chegar atrasado.

