Muitas famílias ficam surpresas quando, após semanas ou meses de sucesso, a criança volta a ter escapes ou pede fralda novamente. Esse retrocesso costuma ocorrer em momentos de mudança, quando a rotina deixa de ser previsível e a criança se sente insegura.
A regressão no desfralde pode estar ligada a eventos como troca de escola, chegada de um irmão, novos professores, ou alterações na rotina familiar, situações que mexem com o equilíbrio emocional do pequeno. Nem sempre significa que o aprendizado foi perdido, mas que a emoção está interferindo no controle.
Para especialistas, a reação dos adultos faz diferença no tempo de recuperação, e o acolhimento costuma favorecer a retomada do hábito. Conforme informação divulgada por Alice Veloso, com orientação do Dr. André Ceballos.
Por que ocorre a regressão no desfralde
A regressão no desfralde não depende só do amadurecimento físico, mas também do equilíbrio emocional. Em situações fora do habitual, o controle do xixi e do cocô pode falhar temporariamente, sem indicar perda definitiva do aprendizado.
Como explica o Dr. André Ceballos, “A criança pequena não consegue traduzir tudo o que sente. O corpo acaba sendo um caminho de expressão e, diante de uma mudança importante, ela pode oscilar em habilidades que já tinha aprendido”. Essa oscilação é uma forma de comunicação, não uma recusa deliberada.
Como acolher a criança sem pressão
O modo como os adultos respondem aos episódios é determinante. Evitar broncas e constrangimentos, valorizar tentativas bem-sucedidas, e manter uma rotina previsível ajuda a reduzir a ansiedade e a frequência dos escapes. O foco deve ser criar um ambiente seguro e confiante.
O médico alerta que “Quando o adulto repreende, a criança se sente envergonhada e ansiosa, e isso tende a aumentar os episódios. O desfralde precisa ser um processo seguro e positivo. Na maioria das vezes, quando ela volta a se sentir segura e adaptada à rotina, o controle retorna naturalmente”. Em alguns casos, recuar temporariamente para preservar o bem-estar emocional é recomendável.
Se a criança pedir fralda para dormir ou tiver muitos escapes, “não há problema em recuar temporariamente. O mais importante é preservar o bem-estar emocional”, orienta o Dr. André Ceballos. Oferecer idas regulares ao banheiro sem pressão, avisar sobre mudanças e acolher medos contribui para a retomada.
Quando buscar ajuda profissional
É preciso observar a duração e a intensidade da regressão no desfralde. Se o retrocesso se estende por meses, vem acompanhado de dor ao urinar, alterações comportamentais bruscas ou sinais intensos de ansiedade, o ideal é procurar um pediatra ou especialista em desenvolvimento infantil para investigar possíveis causas médicas ou emocionais.
Além da avaliação clínica, o suporte terapêutico pode ser indicado quando há sofrimento marcado. Como ressalta o especialista, “Quando os pais acolhem, demonstram paciência e oferecem segurança, a criança atravessa esse momento mais confiante e o processo se reorganiza”, o que evidencia a importância do vínculo no retorno ao controle.
Pequenos passos para retomar o progresso
Mais importante do que acelerar resultados é preservar a segurança emocional da criança. Valorizar conquistas, manter a rotina, comunicar mudanças com antecedência e evitar comparações com outras crianças são atitudes que facilitam a retomada do desfralde com menos estresse para toda a família.








