Dia de Iemanjá no Rio de Janeiro reúne cortejos, rituais e até 30 mil pessoas esperadas nas praias

No Rio de Janeiro, o Dia de Iemanjá mobiliza cortejos, oferendas biodegradáveis, rodas de dança e apresentações musicais em pontos como a Pequena África, Praça Mauá e Arpoador, com forte apelo à ancestralidade e ações de limpeza após a festa.[…]

Dia de Iemanjá no Rio de Janeiro reúne cortejos, rituais e até 30 mil pessoas esperadas nas praias
Ver Resumo

No Rio de Janeiro, o Dia de Iemanjá mobiliza cortejos, oferendas biodegradáveis, rodas de dança e apresentações musicais em pontos como a Pequena África, Praça Mauá e Arpoador, com forte apelo à ancestralidade e ações de limpeza após a festa.

As comemorações na cidade misturam fé, cultura e cuidado com o ambiente, atraindo fiéis vestidos de branco, grupos musicais e público em geral. Eventos ocorrem ao longo do dia, com saída de cortejos e entrega de oferendas ao mar.

Para abrir as homenagens, a Associação Recreativa Filhos de Gandhi celebrou os 50 anos do Presente para Iemanjá, com programação iniciada às 7h na região da Pequena África, incluindo rituais de saudação aos orixás e café da manhã aberto ao público.

O dia segue com cortejos até a Praça Mauá, embarcação sagrada e atividades culturais até o anoitecer, e a expectativa é que cerca de 30 mil pessoas participem da saudação, após reunir 25 mil no ano passado, conforme informação divulgada pelo g1.

Programação e cortejos

O ato dos Filhos de Gandhi marcou a manhã, saindo da Pequena África e seguindo para a Praça Mauá, de onde parte a embarcação que leva fiéis vestidos de branco a entregar oferendas à entidade. Ao longo do dia haverá apresentações de sambas e outras atividades culturais em diferentes pontos da cidade.

Leia também:  Mostra Todd Haynes no CCBB São Paulo reúne 13 filmes, de 'Carol' a debates sobre identidade

Na praia do Arpoador, na zona Sul, acontece a quinta edição da Festa de Iemanjá do Arpoador, com rodas de ritmo e danças candomblecistas do grupo Orin Dudu, no Largo Millôr. A concentração para o cortejo sagrado começa a partir das 15h, com saída prevista para as 16h, na altura da estátua de Tom Jobim.

Oferendas e orientações ambientais

Organizadores e líderes religiosos orientam que as oferendas sejam biodegradáveis e sem materiais plásticos, vidro ou madeira. Nas águas, apenas flores e frutas devem ser oferecidas, para reduzir impactos ambientais e facilitar a remoção dos materiais.

Ao término da programação haverá mutirão de limpeza das praias e pedras, com a participação do público e da equipe da Pedra do Arpoador Conservação, reforçando o compromisso com a preservação do litoral durante as celebrações.

História e reconhecimento

A tradição remonta ao pai de santo umbandista Tatá Tancredo, um dos maiores líderes espirituais da história do Rio, que em 1950 reuniu um grupo de religiosos vestidos de branco no evento Flores para Iemanjá, para entregar suas oferendas ao mar antes da meia-noite. O costume ganhou adeptos e contribuiu para práticas populares ligadas ao Réveillon em praias como Copacabana.

Leia também:  Carnaval 2026 em Bragança: programação oficial na Orla do Caeté e 11 dias de festa

A chefe da Fundação Palmares, Sylvia Leandro, destacou a dimensão identitária da celebração, ao afirmar, “É um enfrentamento que toda a comunidade negra tem feito. Aqui na Pequena África, a gente tem trabalhado também junto ao comitê do Cais do Valongo, para que a gente consiga permanecer aqui, permanecer nesses espaços e demonstrar que o negro ele construiu o Brasil também.”

Após anos de luta dos povos de terreiro, a prefeitura do Rio reconheceu a importância da festa e a instituiu, em janeiro deste ano, como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade, oficializando a importância religiosa e cultural do evento.

Impacto cultural e público

Além dos rituais, o público encontra feira gastronômica e programação com cerca de 21 atrações artísticas e religiosas, envolvendo cerca de 300 artistas de grupos de jongo e samba. A saudação à “Mãe cujo os filhos são peixes” combina devoção, cultura popular e memória negra, reforçando a presença das religiões de matriz africana no cotidiano carioca.

[notification-master-subscribe-btn]

Notícias relacionadas

Encontre a notícia que você procura