Malê Debalê reafirma ancestralidade de Itapuã com ‘Malê na Corte de Oxalá’ no Carnaval 2026

Malê Debalê apresenta em 2026 o tema Malê na Corte de Oxalá, exaltando fé, ancestralidade e realeza espiritual do povo negro, com 23 alas de dança e ações educativas em Itapuã O bloco afro Malê Debalê reafirma seu compromisso com[…]

Malê Debalê reafirma ancestralidade de Itapuã com 'Malê na Corte de Oxalá' no Carnaval 2026
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Malê Debalê apresenta em 2026 o tema Malê na Corte de Oxalá, exaltando fé, ancestralidade e realeza espiritual do povo negro, com 23 alas de dança e ações educativas em Itapuã

O bloco afro Malê Debalê reafirma seu compromisso com a cultura negra e com a valorização das identidades que constroem a história de Itapuã e de Salvador.

Fundado no final da década de 1970, o grupo ampliou atuação para além do Carnaval e investiu em formação artística e em alas de dança, reconhecendo a necessidade de educação cultural entre crianças e jovens.

Para o Carnaval de 2026, a agremiação leva o tema Malê na Corte de Oxalá, que celebra a fé, a ancestralidade e a realeza espiritual do povo negro, com 23 alas de dança que representarão orixás e subtemas ligados à tradição.

conforme informação divulgada pela agremiação Malê Debalê

Origem, trajetória e reconhecimento internacional

O presidente da agremiação, Cláudio de Araújo, relata a origem do bloco no final dos anos 1970, como iniciativa de jovens que queriam melhor representação para Itapuã. Segundo ele, a instituição foi consagrada logo em seu primeiro Carnaval e, em 1997, recebeu título do New York Times como o maior balé afro do mundo.

Cláudio descreve a fundação e o reconhecimento, afirmando, “O balé, o Malê Debalê, nasce na década de 79 para 80, aonde os jovens, né, que pensaram essa instituição tinham nada mais, nada menos como um desejo de fazer com que Itapuã fosse melhor representada, né? Uma questão asfáltica, de educação, urbanismo, né? E aí, logo no primeiro ano dessa instituição no Carnaval, ela é consagrada com o título, né, de campeã do Carnaval. De lá para cá foi instituído, e através de uma percepção muito bacana da diretoria, que a gente precisava fazer algo para além do Carnaval. E aí eles tiveram essa expertise de fazer investimento em alas de dança, né? E quando chega em 1997, a gente recebe o título do New York Times, né? Do maior balé afro do mundo. Então isso, para a gente, foi algo assim surreal.”

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O desfile de 2026, orixás e as 23 alas de dança

O enredo 2026 aprofunda o trabalho iniciado em 2025, com foco na Corte de Oxalá e na participação de todos os orixás na narrativa visual do desfile. A diretoria explica que cada ala assumirá um orixá como subtema, o que amplia a presença simbólica e territorial das tradições.

Sobre a proposta para este Carnaval, Cláudio afirma, “Nós, na verdade, estamos dando continuidade a um processo que nós começamos em 2025. Em 2025, nós tivemos a ousadia de vislumbrar, de propor à sociedade civil, né, a Salvador, Bahia e Brasil, mundo, um tema chamado, né? Nós levamos para a avenida Exú. E agora vamos falar de Oxalá, propriamente falando da sua corte, né? Quando a gente fala na Corte de Oxalá, é claro que todos os orixás estão envolvidos, mas a gente, é claro, não tem essa expertise no sentido de ocupar tempo, de mensurar a quantidade de orixás para poder, a exemplo, colocar num tecido, nas nossas peças do Carnaval. Então, para esse Carnaval, nós estaremos com 23 alas de dança. Cada ala de dança dessa vai tomar conta aí de um orixá, tá, como subtema.”

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Formação, educação e valorização da identidade

Além do espetáculo, o Malê Debalê mantém concursos e festivais que buscam resgatar memórias e reconhecer personalidades negras. A mudança de nomenclatura nas seleções infantis visou afastar a ideia de competição e reforçar propósito educativo e memorial, segundo a diretoria.

A direção explica, “Até dois anos atrás, nós intitulávamos esse processo de seleção como escolha da Negra e Negro Malezinho. Mas a gente sabe que pais e mães, eles querem sempre que seus filhos cheguem no pódio em primeiro lugar. Existia um certo conflito, sabe? A não entenderem que a gente estava aqui procurando enaltecer a memória, sobretudo, daqueles jovens negros, reis e rainhas que vieram em porões de navios e que a gente, enquanto diretoria do Malê Debalê, tenta devolver isso de uma forma macro. Aqui nós temos a prerrogativa de que só através da educação iremos mudar o cidadão.”

Vozes infantis, comunidade e representatividade

Crianças participantes ressaltam o impacto do trabalho do bloco na autoestima e no sentido de pertencimento. A eleita Negra Malezinho de 2026, Dandara Lima, de 9 anos, disse, “Ser Negra Malezinho, para mim, é motivo de esperança, perseverança e também eu acredito que o maior balé afro do mundo, o Malê, ele ajuda as crianças a seguirem pelo caminho certo e não seguirem pelo caminho errado. Eles ensinam a respeitar, a cuidar e também empoderam as crianças negras da sua comunidade.”

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O novo Negro Malezinho, Iago Carvalho, de 12 anos, reforça o papel representativo da escolha, “Eu me sinto feliz por poder representar crianças que querem concursar e querem chegar ao mesmo lugar que eu estou hoje. Para mim, ser Negro Malezinho é poder representar outras crianças e exaltar minha ancestralidade.”

Com foco em formação artística e em práticas educativas, o Malê Debalê segue reafirmando, nas ruas de Itapuã e na avenida, o valor da cultura negra como motor de cidadania, memória e resistência.

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