Colunista sudestino erra geografia sobre Belém e é duramente criticado nas redes

Colunista sudestino erra geografia sobre Belém e é duramente criticado nas redes

Com a aproximação da COP30, a atenção da imprensa nacional voltou-se para Belém, levantando discussões sobre infraestrutura, hospedagem e capacidade de receber um evento de proporções internacionais. Entre as análises críticas, algumas sugeriam que a conferência climática fosse transferida para o Rio de Janeiro ou São Paulo, cidades historicamente mais centrais na mídia e na política nacional.

No entanto, um artigo assinado por Thomas Milz, colunista do DW Brasil, chamou atenção não pelo conteúdo crítico em si, mas por erros geográficos básicos. Milz afirmou que Belém ficaria às margens do Rio Amazonas, o que é incorreto. Na realidade, a cidade é banhada pela Baía do Guajará e pelo Rio Guamá, enquanto o Amazonas passa a cerca de 300 km a oeste, em direção a Macapá.

O jornalista também cometeu enganos sobre o Círio de Nazaré, sugerindo que visitantes dormem em embarcações durante a festa. A postagem original foi apagada e substituída, mas sem uma errata formal, deixando evidente a fragilidade na checagem dos fatos.

A postagem gerou uma enxurrada de críticas nas redes sociais, destacando não apenas a falta de conhecimento geográfico, mas também o tom de superioridade e xenofobia presente no texto original. Entre os comentários mais contundentes, um internauta resumiu a indignação de muitos:

“Interessante observar um colunista falar de estrutura, simbolismo e credibilidade quando sequer domina a geografia básica de um país sobre o qual se propõe a escrever. Afinal, Belém não é banhada pelo Rio Amazonas e quem não consegue apontar no mapa os rios que cercam uma capital brasileira talvez devesse ter mais humildade antes de se colocar como autoridade em um debate internacional. Isso é conteúdo de quinta série, mas parece que nem isso foi revisado. E como se não bastasse o erro, ainda apagou o post original, como se apagar fosse resolver o problema. Credibilidade não se apaga, se constrói com conhecimento e responsabilidade. Quando se trata da COP30, não há “simbolismo”, há realidade. Belém foi escolhida porque está no coração da Amazônia, o bioma mais estratégico do planeta para discutir clima, biodiversidade e futuro sustentável. Não é um prêmio de consolação, é a chance do mundo ouvir quem vive as consequências das mudanças climáticas de forma direta e urgente. Falar que Belém não tem estrutura é reproduzir um discurso que esconde, muitas vezes, xenofobia e desconhecimento histórico. A cidade já sediou eventos internacionais, como o Fórum Social Mundial, recebe anualmente milhões de pessoas no Círio de Nazaré e sabe lidar com fluxos gigantescos de visitantes de forma criativa e funcional. Talvez falte a alguns jornalistas conhecer de perto o que chamam de “improvisação”: isso se chama adaptação amazônica, algo que o mundo deveria aprender em vez de desprezar. Enquanto alguns enxergam problema, nós enxergamos oportunidade. A COP30 em Belém não será só um debate climático; será uma vitrine da potência cultural, social e gastronômica do Norte do Brasil. Quem reduz isso a “simbolismo” mostra o quanto ainda não compreendeu que a Amazônia é protagonista, não figurante, e que Belém é capital forte, vibrante e capaz. Portanto, se Belém não tivesse estrutura para sediar a COP30, talvez fosse o colunista que não teria estrutura para falar sobre ela. Porque para opinar sobre clima, Amazônia e Brasil, é preciso antes aprender a geografia.”

A COP 30 vem mostrando um problema maior na cobertura midiática sobre a Amazônia: o desconhecimento do espaço, da história e da cultura regionais muitas vezes camuflado sob uma aparência de autoridade e credibilidade. Belém, escolhida para sediar a COP30, não é um prêmio simbólico, mas um ponto estratégico para o debate climático global, localizado no coração do bioma amazônico, cujas decisões impactam diretamente o planeta.

Com Informações: Pará News Web

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