Por: Kauã Fhillipe e Evangelista Rocha
Publicado em 12/01/2026 17h18 Atualizado em 12/01/2026 17h51
Pedro Henrique de Souza da Silva, de 14 anos, morreu no final da tarde deste domingo (11) após sofrer uma descarga elétrica na Travessa 23, no bairro Nossa Senhora Aparecida (Coca-Cola), em Marabá. O adolescente brincava com os irmãos em frente de casa quando decidiu apanhar mangas no quintal da frente de um vizinho, localizado na rua ao lado.
No local, segundo a família, havia uma espécie de “armadilha” montada pelo morador para espantar animais, composta por um fio eletrificado exposto em baixa altura. Ao se aproximar da mangueira, Pedro acabou se enrolando na fiação energizada, sofrendo uma eletroplessão quase imediata. Familiares e vizinhos ainda tentaram socorrê-lo, retirando o corpo do meio dos fios, mas o adolescente não resistiu. Ele foi levado pelo pai ao Hospital Municipal de Marabá, onde recebeu os primeiros atendimentos, porém já chegou sem vida.
Abalado, o pai da vítima, Geneson Benício da Silva, contou ao Correio de Carajás durante o velório de Pedro, na tarde desta segunda-feira (12), que registrou ocorrência na Delegacia da Cidade Nova e cobra justiça. “Eu fui na delegacia, dei entrada com o delegado e com o escrivão e eles me deram um papel, onde me encaminharam para dar seguimento. O vizinho não prestou nenhum tipo de ajuda, nada. Ele disse que viu tudo pelas câmeras que tem na casa dele e que queria apenas salvar o vídeo para ficar respaldado do que ia acontecer”, relata.
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Geneson afirmou que estava em casa no momento do acidente e que outro filho também chegou a ser atingido pela descarga elétrica ao tentar socorrer o irmão. Pedro tinha outros 8 irmãos e era o filho mais velho do relacionamento atual.
O pai também relatou que equipes da Equatorial chegaram a fazer uma vistoria no local após a morte do adolescente, mas que o fio continuava energizado horas depois do ocorrido. “Pela manhã, antes de eu ir pro IML, eu passei lá e o fio ainda estava dando choque”, afirma.
Revoltado, Geneson disse que o comportamento do vizinho após a morte do filho agravou ainda mais a dor da família. “O que mais choca um pai é ver um filho nessa situação e o autor do crime zombar, dizer que não tem nada a ver com isso. Ele falou pra uma menina que, se quisesse falar com ele, era na igreja, que ia pra igreja e que não tinha nada a ver com isso”.
Familiares e amigos que estiveram presentes ao velório, realizado na casa da família, lembraram com carinho das aventuras de Pedro com os amigos na rua onde costumavam brincar. “Ele vinha aqui, me abraçava, pedia água e voltava a correr por essas ruas aqui de perto. Eu gostava muito dele, via sempre ele na igreja”, recordou uma vizinha, enquanto consolava o pai da criança.
A equipe da Polícia Científica esteve no local, onde o rapaz perdeu a vida, para realizar as primeiras apurações. No terreno, foi constatado que o fio energizado possuía cerca de 10 metros e que a cerca estava conectada a uma ligação irregular de energia, conhecida como “gato”. As diligências ainda terão novos desdobramentos, a partir da investigação conduzida pela Polícia Civil. O vizinho, que não foi identificado, não estaria na residência desde o momento do ocorrido.
Uma câmera de segurança foi encontrada destruída na porta do imóvel, enquanto outra permanecia ligada e emitindo sinais sonoros. No entanto, com a chegada de curiosos, o equipamento parou de sinalizar, o que levantou a suspeita de que o proprietário do imóvel estaria acompanhando a movimentação à distância.
Ao final da entrevista, o pai resumiu o que espera a partir de agora: “Eu só quero pro meu filho. Que isso não fique assim, entrego só a Deus. Porque no instante que a pessoa coloca um fio elétrico daquele jeito, sem sinalização, ele assume o risco. E meu filho perdeu a vida por isso”.
Abaixo, leia um poema produzido pela professora Jeânia Sobral, do Km 7.
Homenagem a Pedro Henrique
Hoje, o silêncio fala mais alto.
Há uma ausência que pesa,
um vazio que não se explica com palavras.
Pedro Henrique era um menino de luz,
cheio de vida, de sonhos e de futuro.
Um aluno que carregava no olhar
a curiosidade de quem acreditava no amanhã.
Ontem, houve um aperto no peito como se o coração pressentisse a perda.
E ela veio, dura e injusta,
levando cedo demais um sonhador.
Foi a descarga elétrica que interrompeu sua caminhada,
mas não interrompeu o que ele deixou.
Pedro permanece nos corredores da escola,
na memória dos colegas,
no carinho dos professores,
e no afeto de todos que o conheceram.
Hoje, nos unimos em dor e, também, em respeito e lembrança.
Que sua luz siga viva em nós e que seus sonhos encontrem descanso
na eternidade.
Pedro Henrique,
presente hoje e sempre.







