O segundo dia do Grupo Especial, marcado para 16 de fevereiro, promete trazer à Sapucaí um desfile com forte presença de homenagens, histórias de resistência e momentos para o público cantar junto com as baterias.
A abertura ficará por conta da Mocidade Independente de Padre Miguel, que leva ao samba-enredo a figura de Rita Lee, enquanto Beija-Flor, Viradouro e Unidos da Tijuca chegam com temas que misturam fé, reconhecimento e literatura popular.
O resumo das escolhas artísticas e a expectativa das escolas estão no centro da cobertura desta véspera de festa, conforme informação divulgada pela reportagem recebida.
Mocidade e a celebração a Rita Lee
A Mocidade Independente de Padre Miguel abre a noite e convida o público a se entregar ao enredo sobre Rita Lee, a Padroeira da Liberdade, uma homenagem à cantora e compositora que rompeu padrões na música brasileira. A escola aposta em força de bateria e em um samba-enredo que promete eletrizar as arquibancadas, com a Verde e Branco pedindo que todos se joguem na avenida.
Beija-Flor, Bem-Bé e a memória de João de Obá
A Beija-Flor de Nilópolis chega como uma das favoritas, defendendo o enredo Bem-Bé, em referência ao Bem-Bé de Mercado, a maior celebração do candomblé de rua no mundo, realizada todo 13 de maio na Bahia. A escola pretende resgatar a história de João de Obá, pai de santo que, desde 1889, marca a resistência e a preservação das tradições de matriz africana.
Pela primeira vez em 50 anos, não teremos o grito de guerra entoado por um dos intérpretes mais famosos da história, o Neguinho da Beija-Flor, que se aposentou no ano passado, e a escola aposta no peso do enredo para manter a força na avenida. O carnavalesco João Vítor Araújo ressalta a intenção de mostrar o protagonismo e a luta na história de João de Obá, afirmando, “A intenção desse enredo não é só trazer para o público essa história linda do maior candomblé de rua do planeta, mas mostrar que nessa história existiu o protagonista que lutou, rompeu barreiras, suportou todas as adversidades para tocar seu candomblé, para levar seu povo para a rua e lutarem pela sua religião. E aí a gente não tem como não traçar um paralelo do que era o Laíla na Beija-Flor de Nilópolis, que era um cara que brigava feito um leão pela sua comunidade”.
Viradouro e a homenagem a Mestre Ciça
Para celebrar seus 80 anos de existência, a Unidos do Viradouro escolheu homenagear Mestre Ciça, figura central na história da escola e referência nas baterias do carnaval. O enredo Pra cima, Ciça! narra a trajetória do mestre, que começou como passista na Estácio de Sá em 1971 e acumulou mais de cinco décadas na avenida.
A escola revisita episódios que ajudaram a construir títulos recentes, e o carnavalesco Tarcísio Zanon descreve o momento como especial, dizendo, “Não teria melhor escola para ele poder ser homenageado e nenhum momento melhor. Então, essas pessoas que amam o samba, que amam o mestre e que vão estar ali para reverenciá-lo e reverenciar a Viradouro também”.
Unidos da Tijuca encerra a noite com Carolina Maria de Jesus
Fechando a noite, a Unidos da Tijuca apresenta o enredo sobre Carolina Maria de Jesus, autora de “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”. A escola traz à avenida a história da catadora de papel da Favela do Canindé, que expôs em seu livro a fome, a pobreza extrema e o racismo enfrentados por muitas mães brasileiras.
Carolina, nascida em Minas, tornou-se referência por sua escrita direta e contundente sobre desigualdade social, e a Tijuca aposta no poder narrativo desse enredo para encerrar o segundo dia do Grupo Especial com emoção e reflexão.
O segundo dia da elite do samba, portanto, combina ritmos, memórias e homenagens que devem manter o público atento e animado, com escolas trazendo à avenida narrativas que exploram cultura popular, religiosidade e personagens centrais da história do país.








