Programa da CBF profissionaliza árbitros do Brasileirão com contratos por temporada, remuneração fixa, apoio técnico e avaliação contínua, envolvendo 72 profissionais e investimento de R$ 195 milhões
A Confederação Brasileira de Futebol lançou um modelo inédito de profissionalização de árbitros, que prevê contratações por temporada e uma estrutura de suporte permanente.
O programa vai concentrar equipes fixas para apitar as partidas da Série A ao longo do ano, com salários mensais, taxas variáveis e bônus por performance, sem exigência de exclusividade.
Além da remuneração, os árbitros terão preparação física, acompanhamento psicológico, suporte técnico e monitoramento tecnológico, com avaliações sistemáticas.
conforme informação divulgada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF)
Como será a contratação e quem está incluído no programa
O novo modelo prevê a contratação de 72 profissionais para atuarem no futebol profissional. Ao todo, são 72 profissionais contratados, sendo 20 árbitros centrais (11 deles do quadro da FIFA, a Federação Internacional de Futebol), 40 assistentes (sendo 20 da Fifa), e outros 12 (também credenciados na Fifa) para atuarem como árbitros de vídeo (VAR), conforme informado pela entidade.
Os árbitros serão remunerados com salários mensais, taxas variáveis por partida e bônus por desempenho, e deverão se dedicar prioritariamente à atividade, sem obrigação de exclusividade. A CBF também anunciou que haverá, ao final de cada ano, rebaixamento de pelo menos dois profissionais de cada função, e promoção daqueles que se destacarem.
Avaliação, treinamento e suporte técnico
Os 72 árbitros passarão por notas e avaliações feitas por observadores e por uma comissão técnica contratada pela CBF, com critérios que incluem controle de jogo, aplicação das regras, desempenho físico e clareza na comunicação.
O programa inclui um ranking atualizado a cada rodada, planos individualizados, rotina semanal de treinos e quatro avaliações anuais com testes físicos e simulação de jogo. A rede de apoio contará com preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo, além de monitoramento tecnológico.
Sobre a visão institucional, o presidente da CBF afirmou, em evento de lançamento, “É um movimento que segue as melhores práticas de outras grandes federações do mundo. Mais uma pauta que precisava ser estudada e discutida com todos os setores do futebol e implementada com firmeza, mas que estava adormecida na CBF”.
Motivação, origem do projeto e cronograma
O programa foi desenhado ao longo do ano passado por um grupo de trabalho liderado por Netto Góes, Helder Melillo e Davi Feques, com a participação de 38 clubes das Séries A e B, além de consultores internacionais, árbitros, federações e associações.
A CBF afirmou que o novo padrão de funcionamento começa oficialmente em março, quando serão feitas as contratações e implantados os procedimentos definidos. O investimento anunciado é de R$ 195 milhões para os biênios 2026 e 2027.
Em sua justificativa para a mudança, o presidente ressaltou a necessidade de oferecer apoio integral aos profissionais, dizendo, “Aqui nós estamos falando de pessoas, de pessoas que estão literalmente no centro do campo quando começam as partidas, mas que por décadas viveram na periferia das atenções da CBF, só ganhando relevância quando cometiam erros. E por que erravam? Primeiro, claro, por sermos seres humanos, todos nós erramos e continuaremos errando. Mas, por muitas vezes, porque faltava apoio, faltava investimento, preparo físico, faltava instrução técnica, faltava tranquilidade financeira, faltava apoio psicológico, tecnologia, faltava saúde e faltava uma trilha de desenvolvimento. Não mais”.
O que muda na prática para o futebol brasileiro
Ao institucionalizar a profissionalização de árbitros, a CBF busca reduzir erros, melhorar a consistência das decisões e dar previsibilidade à carreira dos árbitros, com impacto direto na qualidade das partidas do Brasileirão.
Analistas e clubes envolvidos no projeto participaram da elaboração, e a adoção de avaliações frequentes e de um ranking por rodada promete aumentar a transparência sobre o desempenho dos árbitros ao longo das temporadas.
Com isso, a expectativa é que a combinação de remuneração estável, treino contínuo e suporte multidisciplinar gere maior segurança técnica, condição física e equilíbrio emocional para quem apita os principais jogos do país.




