Por : Eduardo Cunha
Ainda me lembro como se fosse ontem do dia da inauguração da Estação das Docas. Era o ano 2000, e a parceria entre o então governador Almir Gabriel e o genial arquiteto Paulo Chaves já anunciava uma transformação profunda para a cidade. Não se tratava apenas de uma mudança na paisagem urbana, mas de uma revolução verdadeira que criaria novos espaços de convivência social, revitalizaria pontos históricos e daria nova cara a áreas antes negligenciadas.
Ou seja, mais do que simples obras de infraestrutura, aquilo representava um legado — um presente para Belém que, sem dúvida, perduraria por gerações. O complexo Feliz Lusitânia e o Parque da Residência são outros exemplos dessa transformação. Espaços outrora esquecidos que hoje se tornaram marcos vivos da nossa cidade.
Embora o impacto positivo dessas iniciativas seja inegável até hoje, na época, a construção da Estação das Docas foi alvo de duras críticas, chegando a ser apelidada pejorativamente de “Estação das Dondocas”. O prefeito de Belém na época, Edmilson Rodrigues, do PT, opositor político de Almir Gabriel, foi um dos que mais atacaram o projeto. O argumento central das críticas era o de que a obra beneficiaria apenas a elite, deixando de atender às camadas mais populares da cidade.
Vinte e cinco anos depois, o tempo mostrou que os críticos estavam redondamente enganados. A Estação das Docas, possivelmente o principal ponto turístico de Belém — e talvez de toda a Região Norte —, não só gera receita, como também cria empregos e atrai turistas para outros destinos próximos, como a Ilha do Combu, Ilha das Onças, Mosqueiro, o distrito de Icoaraci e até mesmo o Ver-o-Peso.
Vale lembrar que Belém, com sua economia fortemente voltada para o setor de serviços e poucas indústrias, precisa urgentemente apostar no turismo. Mesmo sendo uma atividade ainda em desenvolvimento, ela terá um papel fundamental no futuro próximo da cidade.
E é justamente por isso que, com a COP30 às portas e a inauguração da Nova Doca se aproximando, vejo ressurgirem críticas semelhantes. E, como bom ariano com TDAH que sou, não posso deixar de me manifestar. Então, vamos lá!
Primeiro, é preciso esclarecer que nem todas as obras de infraestrutura para a COP30 estarão concentradas em bairros nobres, como a Nova Doca, no Umarizal. Isso não se sustenta! Querem um exemplo? Para quem não sabe, sou um grande frequentador da Cidade Velha: escuto vinis no Beatles, faço um lanche na Esther, bebo no Rubão, saboreio um caranguejo e ainda dou uma canja no Pimenta na Cuia. Alguém pode afirmar que esse é um bairro só de gente rica? Não é! Perguntem a qualquer morador de lá o que pensam sobre as obras no Canal da Tamandaré.
Aproveito para lançar uma pergunta: o que será feito do Hangs Burger, o bar que ocupa um espaço público há anos e — pelo que sei, sem pagar nada — com as obras da COP30? Esse, sem dúvida, é um tema para outra matéria, mas já deixo a sugestão de que o local seja transformado em um espaço cultural, especialmente considerando que é de lá que partem os barcos para as ilhas.
Voltando ao ponto central: percebo que muitas dessas críticas vêm de pessoas que, como eu, não votaram nos políticos que provavelmente sairão fortalecidos com a COP30. É um fato. Mas sejamos francos: se Belém não fosse a sede, o evento teria acontecido em Manaus — como foi o caso da Copa do Mundo de 2014. Alguém preferiria isso?
Além disso, a maior parte dos recursos virá do BNDES. Prefeririam que fossem destinados para financiar mais um porto em Cuba?
Vale lembrar também que os políticos de direita que concorreram nas últimas eleições de 2020 nunca se declararam contra a COP30. Ora, sejamos francos: o que nos cabe, como sociedade, é fiscalizar e garantir que os investimentos sejam feitos com responsabilidade, transparência e competência. E ponto!
E para encerrar, conheço muitas pessoas que receberam amigos e parentes de fora. Levaram-nos à Basílica de Nazaré, depois ao Theatro da Paz. Em seguida, saborearam um sorvete na Cairu, caminharam pela Estação das Docas e almoçaram peixe frito de filhote no Ver-o-Peso. O dia terminou com banho de rio e tambaqui no Combu.
Ah, se não fosse Almir e Paulo Chaves…
Com Informações: Para Web News