Receber um diagnóstico de câncer altera a rotina, as relações e a forma de ver o futuro, e o impacto emocional merece atenção equivalente ao tratamento físico. Muitas pessoas relatam medo, tristeza e incerteza ao longo do percurso.
Tratar a saúde mental durante o tratamento ajuda na adesão às terapias, reduz sintomas emocionais e melhora a qualidade de vida. O apoio adequado promove mais autonomia, dignidade e humanidade no cuidado.
Informações científicas e relatos de especialista mostram a fragilidade emocional entre pacientes, e a necessidade de estratégias práticas para enfrentamento, conforme informação divulgada pelo estudo “Prevalence and associated factors of depression and anxiety among patients with cancer seeking treatment at the Butaro Cancer Center of Excellence in Rwanda”, publicado pela Frontiers, e por Beatriz Felicio.
O impacto psicológico do diagnóstico
Dados citados no estudo indicam que 25% dos pacientes com câncer apresentam sintomas de depressão, e até 45% relatam níveis elevados de ansiedade, sinais que exigem atenção por parte de equipes de saúde e da rede de apoio. Esses números mostram que sofrer com a dimensão emocional é comum e não isolado.
A psicóloga Mariana Ramos ressalta, “O câncer não afeta apenas o corpo físico, ele atravessa a identidade, os vínculos e a forma como a pessoa se percebe no mundo“, explicando que o corpo passa a ser também um lugar de vigilância e apreensão, e que emoções como ansiedade e tristeza precisam ser acolhidas sem julgamento.
Por que acompanhamento psicológico é parte do tratamento
O acompanhamento psicológico oferece um espaço confidencial para elaborar medos, culpas e angústias, e favorece a adesão ao tratamento médico. Segundo a especialista, “Trabalhar emoções não significa pensar positivo a qualquer custo, mas compreender e reorganizar a experiência interna, promovendo mais autonomia, dignidade e humanidade no processo de cuidado“.
Quando a saúde mental é cuidada, o paciente tende a seguir melhor as orientações médicas, a comunicar efeitos colaterais e a manter relacionamentos que sustentam a rotina de tratamento, reduzindo isolamento e sofrimento.
Oito práticas para proteger a saúde mental durante o tratamento
1. Permita-se sentir, tristeza, medo e insegurança fazem parte do processo, não reprima emoções, reconhecer o que surge é o primeiro passo para o cuidado emocional.
2. Busque apoio profissional, acompanhamento psicológico ajuda a elaborar sentimentos e reduzir o sofrimento, e não é sinal de fraqueza, é cuidado responsável.
3. Mantenha vínculos, conversar com pessoas de confiança diminui o isolamento emocional, e trocar experiências com quem se importa traz conforto prático e afetivo.
4. Respeite seus limites, descanso, pausas e autocuidado não são luxo, são necessidade para tolerar tratamentos e recuperar forças.
5. Cultive pequenas rotinas de bem-estar, caminhar, ouvir música ou praticar respiração consciente ajudam a estabilizar as emoções, mesmo em dias de cansaço.
6. Evite comparações, cada experiência é única, o tempo de adaptação e as reações emocionais variam e comparar-se a outros pacientes pode aumentar ansiedade e frustração.
7. Peça ajuda quando necessário, contar com familiares, amigos ou profissionais não é sinal de fraqueza, é um recurso para enfrentar os desafios práticos e emocionais.
8. Reconheça que cuidar da mente é cuidar do corpo, emoções influenciam o bem-estar físico e a adesão ao tratamento, tratar a saúde mental é também uma forma de cuidar do organismo.
Como familiares e cuidadores podem apoiar
O impacto emocional se estende a quem cuida, por isso é importante criar redes de apoio, promover diálogo aberto e incentivar busca por ajuda profissional quando necessário. Cuidadores também precisam de pausas e acolhimento para evitar desgaste.
Como resume Mariana Ramos, “Buscar apoio psicológico não é sinal de fraqueza, desistência ou falta de fé, mas uma atitude responsável de quem cuida da própria saúde emocional“, e transformar esse entendimento em prática é um passo concreto para melhorar a vida durante o tratamento.








