Entenda como prevenir crises de epilepsia, reduzir risco de SUDEP e adotar tecnologias e primeiros socorros que aumentam a segurança de quem convive com a doença
A epilepsia é um transtorno neurológico comum e pode assustar quando uma crise ocorre, especialmente à noite, por isso informações claras ajudam a salvar vidas e reduzir complicações.
Controlar as crises, seguir o tratamento médico e conhecer dispositivos de monitoramento são pilares para aumentar a segurança de pacientes e familiares.
Dados e recomendações profissionais ajudam a orientar atitudes práticas no dia a dia, conforme informação divulgada pela Afya Montes Claros.
Escala e riscos da epilepsia, incluindo SUDEP
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 50 milhões de pessoas vivem com a condição no mundo, o que exige políticas públicas, diagnóstico precoce e apoio contínuo. No Brasil, Dados do Departamento de Informação e Informática do SUS (DataSUS) indicam que, entre 2019 e 2024, foram registrados 296.017 casos da doença, mostrando impacto relevante na saúde pública.
A gravidade da condição vai além dos efeitos sociais, porque pessoas com epilepsia apresentam risco de morte prematura até três vezes maior em comparação com a população geral, e a Morte Súbita Inesperada na Epilepsia, SUDEP, está entre as principais causas.
O neurologista Dr. Marcelo José da Silva de Magalhães explica a SUDEP com precisão, “Essa sigla dá nome ao óbito do paciente devido pausas na respiração que ocorrem durante ou após o episódio de convulsão. Os pacientes obesos e com crises de epilepsia que ocorrem especialmente à noite, possuem risco maior de desenvolver essa síndrome”, e estudos recentes reforçam a atenção ao tema.
Novas evidências e fatores de risco
Um estudo publicado em janeiro pela revista The Lancet apresentou resultados importantes, indicando que essa condição pode estar associada a mais de 20% das mortes súbitas não explicadas em pessoas com menos de 50 anos. A pesquisa analisou um grande grupo de pacientes e identificou fatores de risco que podem mudar a prática clínica nos próximos anos.
Os autores e especialistas destacam que homens com obesidade e pacientes cujas crises ocorrem predominantemente durante o sono apresentam risco significativamente maior de SUDEP, informação que deve orientar estratégias de monitoramento e tratamento.
Tecnologias que ajudam na detecção precoce e na resposta
Além do tratamento médico, há dispositivos que aumentam a segurança, especialmente durante o sono. Entre as opções estão sensores de colchão que identificam movimentos típicos de convulsões e câmeras com inteligência artificial, que diferenciam movimentos normais do sono de crises motoras e emitem alertas sonoros.
Também existem soluções vestíveis, como a braçadeira NightWatch, que monitora frequência cardíaca e movimentos, detectando até 96% das crises tônico-clônicas, a pulseira Embrace2, que envia alertas em tempo real para smartphones, e o aplicativo EpiWatch para Apple Watch, autorizado pelo FDA, que monitora crises e notifica contatos de emergência.
Essas ferramentas não substituem o tratamento médico, mas representam recursos importantes para aumentar segurança e reduzir riscos, conforme observa o especialista da Afya Montes Claros.
Como agir durante uma crise epilética
Ao presenciar uma crise, mantenha a calma, crie espaço ao redor da pessoa e proteja a cabeça com um objeto macio, como um travesseiro ou casaco, para evitar lesões. Vire a pessoa de lado para evitar sufocamento com saliva ou vômito e afrouxe roupas apertadas para facilitar a respiração.
É fundamental cronometrar a crise, porque se a crise durar mais de 5 minutos, ligue imediatamente para o SAMU, 192. Não tente segurar braços ou pernas, não coloque objetos na boca, e não ofereça água ou remédios até que a pessoa esteja plenamente alerta, orientações que reduzem riscos e protegem a vida.
Acompanhamento médico e medidas preventivas
Reduzir o risco de SUDEP e melhorar a qualidade de vida dependem do controle rigoroso das crises, acompanhamento regular com neurologista, uso correto e contínuo dos anticonvulsivantes e tratamento adequado dos fatores de risco clínicos. A combinação de cuidado médico, apoio familiar e tecnologias pode transformar a segurança diária de quem convive com epilepsia.
Informar e treinar familiares, amigos e cuidadores sobre primeiros socorros, reconhecer sinais de crise e saber quando acionar ajuda emergencial são medidas práticas que fazem diferença na prevenção de complicações e na proteção da vida.








