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Fenômenos climáticos naturais afetam produção de coco no Pará

O último ano foi difícil para os produtores de coco do estado que viram a escassez de chuva devido às altas temperaturas reduzirem suas produções. O Pará registrou em 2023 uma redução de 78,1% na quantidade de coco exportada, em relação ao ano anterior, apontam estatísticas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e agrônomo Alessandro Carioca de Araújo, lembra que “a região norte é extremamente suscetível a fenômenos climáticos naturais, como os fenômenos El Niño ”, explica.

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De acordo com os dados mais recentes da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgados pelo IBGE, até o ano de 2022, o estado era o terceiro maior produtor de coco do país, representando 9,6% da produção nacional. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), no mesmo ano, o total de área colhida foi de 17,4 mil, e o valor de produção foi de R$215,5 milhões de reais. Nesse período, entre os municípios paraenses com maior destaque, o município de Moju registrou 79,5 milhões de frutos produzidos, seguido pelo Acará com 21 milhões e Capitão Poço com 9,4 milhões.

Especialistas comentam

“Durante o último ano, 2023, tivemos a presença do fenômeno El Niño [aquecimento das águas do oceano Pacífico] que foi tão forte quanto o de 2015 e 2016, causando uma diminuição da precipitação tanto no período chuvoso quanto no período de estiagem na Amazônia”, afirma o agrônomo e pesquisador da Embrapa, Alessandro Carioca de Araújo. O especialista ainda defende que “as previsões são para chover menos ainda daqui para frente e pior do que isso (…) essas chuvas serão mais localizadas, chuvas intensas em períodos curtos. Esse é o pior cenário para um produtor, um agricultor, porque a chuva já é mal distribuída e fica mais localizada”, pontua.

“A probabilidade é alta de que o El Nino enfraqueça até abril-maio deste ano (cerca de 75% de probabilidade)”, projeta o especialista. Carioca ainda especula que “o ano de 2024 não deve ser tão quente quanto o de 2023 porque o fenômeno El Niño está enfraquecendo. Não se deve esperar uma estiagem tão forte como foi a de 2023”. Apesar da projeção, lembra que “não há uma certeza a esse respeito. Ninguém sabe como está o fundo do oceano, se está esquentando”.

O meteorologista José de Sousa, corrobora a tese de enfraquecimento do fenômeno climático. “O El Niño tem o ciclo de um a sete anos, mas ele começa a acontecer como ocorreu no ano de 2023, começou se eu não me engano em junho e está se estendendo e vai permanecer até março ou abril”, afirma. O especialista também lembra que a realidade do Pará é singular, pois mesmo durante os períodos intensos do fenômeno, as diferentes regiões do estado apresentaram impactos diferentes.

Perdas e planos de futuro

O produtor paraense Rafael Izumi já atua no setor há onze anos e comenta que sentiu os efeitos das altas temperaturas do último verão revertidos em perdas na sua produção. “Senti uma queda de 70% na produção do ano passado. Prejuízo imenso, que compromete a produção deste ano. Fica muito difícil fazer os devidos investimentos para uma boa produção em 2024”, aponta. O agricultor está em alerta e afirma que o setor já enfrentava altas nos preços dos insumos. “Um verão ainda pior, nesse ano de 2024, agravaria mais ainda, em um cenário já difícil com alta no valor de todos os insumos agrícolas envolvidos que subiram muito”.

Na capital paraense, vendedores de coco comentam que além do verão intenso, pragas como besouros estariam prejudicando a produção local. Izumi explica que o comportamento das pragas também possui relação com o clima típico da região da região norte. “É bem comum no Pará, têm várias pragas, besouros, lagartas, nematóides que causam a doença do anel vermelho e etc. Fora problemas com fungo que também é muito comum na nossa região, que é muito quente e úmida”, ressalta.

Coco ficou menor em 2023

A redução no tamanho do coco no último ano também chamou a atenção de vendedores locais. Para o produtor, a combinação da falta de chuva e de uma nutrição apropriada contribuem para o fenômeno, que segundo ele, influenciam a algum tempo no mercado do setor. “Com a sazonalidade do mercado, o produtor também não investe tanto em fertilizantes pela falta de opções de venda no inverno. Há alguns anos era comum mandar coco verde do Pará para fora do estado, mas com o aumento exponencial dos fretes e as altas produções no nordeste brasileiro, o coco do Pará perdeu competitividade no mercado nacional”, afirma o produtor.

Sobre o futuro, Izumi destaca que a produção local depende exclusivamente do ciclo das chuvas, característica que a diferencia de outros estados. “Até pouco tempo não havia a necessidade de se implantar sistemas de irrigação nas lavouras de coco, já que chovia boa parte do ano e atendia bem a necessidade dessas palmeiras”, explica. 

Para enfrentar possíveis estiagens, o produtor conta que pretende investir em novas tecnologias. “Estou apostando minhas fichas em variedades diferentes de palmeira de coco. Concentrando meu plantio em variedades híbridas que sentem menos esses longos verões”, afirma. Apesar da experiência negativa na última safra, se mantém esperançoso quanto às alternativas. “Acredito que não chegue nesse ponto, de irreversibilidade. Caso esse cenário continue, vai ser caso de investir em sistemas de irrigação”, conclui.

Com Informações de O LIberal

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