O frevo é um ritmo que nasceu nas ruas do Recife e que, ao longo das décadas, virou símbolo do Carnaval pernambucano. Sua energia vem tanto da cadência, quanto da coreografia dos foliões, que transformaram movimentos de luta em dança.
Na prática, o frevo se apresenta em diferentes formas, do instrumental ao cantado, passando pelas orquestras de bloco com instrumentos de corda, e segue preservando tradições e nomes centrais da sua história.
Conforme informação divulgada pelas fontes recebidas.
Origem, ritmo e variações
Nascido no Recife no fim do século XIX, o frevo mistura a marcha e o maxixe. Seus passos acelerados vieram da capoeira, transformando luta em dança. O ritmo tem três variações: o frevo de rua é puramente instrumental; já o frevo-canção é acompanhado da voz; o frevo de bloco é executado por orquestras de pau e cordas, com violões, banjos e bandolins.
Compositores e preservação
Essa força musical foi construída por gigantes como Capiba, Nelson Ferreira e Edgar Moraes, nomes que ajudaram a consolidar o repertório e a linguagem do frevo ao longo do século XX. Verdadeiros patrimônios vivos, como J. Michiles, seguem levando o frevo adiante em apresentações e composições.
Michiles compôs mais de 150 frevos, entre eles o hino “Vampira”.
O compositor também conta histórias que revelam a vivacidade do bloco e das folias, momentos que viram lenda e hino, e que alimentam a cultura popular ligada ao frevo.
Memória e anedota que virou canção
Em uma lembrança que mistura humor e cotidiano do Carnaval, Michiles descreve uma cena da folia que inspirou um dos seus frevos. “Num sábado desse eu estava na varanda e, de repente, eu observei uma foliona dando um bote no cangote do folião. Caíram os dois no chão, ela se levantou e foi embora. Quando ele se levantou para procurar, ela já estava longe. Aí eu: ‘acabo de assistir a um beijo de vampira’”, lembra o compositor.
O futuro do frevo segundo pesquisadores
Para estudiosos e agentes culturais, o desafio é manter a tradição viva ao mesmo tempo em que se abre espaço para diálogo com outras sonoridades. A preservação passa por registro, ensino e incentivo às novas gerações, além de parcerias culturais que ampliem o alcance do ritmo.
“Eu creio que o frevo, em pouco tempo, será uma cultura musical que tem um acervo grande sobre os seus fazeres, sobre as suas práticas, porque tem muita gente interessada em produzir isso. E também, o futuro, a julgar pelo que está acontecendo no presente, nós vamos ter o frevo mais em diálogo com outras culturas musicais”, afirma o pesquisador Clímério de Oliveira.
O frevo continua em transformação, mantendo seu papel central nas ruas e palcos do Brasil, e servindo como referência de resistência cultural, criatividade e festa popular.







