Crescimento modesto da Indústria em 2025 reflete as altas taxas de juros
A indústria brasileira fechou o ano de 2025 com um crescimento de apenas 0,6%, impactada pela **pressão dos juros altos**. Apesar desse resultado modesto, representa o terceiro ano consecutivo de expansão na produção industrial do país. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em uma pesquisa realizada mensalmente.
O desempenho da indústria foi significativamente afetado nos últimos meses do ano, com uma desaceleração visível, especialmente quando se compara o primeiro semestre ao segundo. Até junho, a produção industrial acumulou um crescimento de 1,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas nos últimos seis meses, a variação foi nula.
Em dezembro, a produção caiu 1,2%, o que representa o pior resultado desde julho de 2024. Em três dos últimos quatro meses do ano, a indústria apresentou quedas, com exceção de outubro, que teve variação nula. Essa situação evidencia os desafios enfrentados pelo setor diante da atual política monetária restritiva.
Setores em Alta e Baixa
Durante 2025, a indústria mostrou crescimento em duas das quatro grandes categorias econômicas. Os **bens de consumo duráveis** cresceram 2,5%, e os **bens intermediários** apresentaram um aumento de 1,5%. Por outro lado, os **bens de consumo semi e não duráveis** e os **bens de capital** tiveram quedas de 1,7% e 1,5%, respectivamente.
Impacto dos Juros Altos
O gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo, destacou que a política monetária restritiva, com taxas de juros elevadas, é um dos principais fatores que desaceleraram a produção industrial. Com juros altos, as empresas tendem a adiar decisões de investimento, o que impacta diretamente o consumo das famílias e resulta em uma desaceleração no setor de bens duráveis.
Preocupações com a Inflação
A trajetória crescente da inflação levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a elevar a Selic de 10,5% para 15% ao ano entre setembro de 2024 e junho de 2025. Essa medida foi tomada para conter a inflação, que ficou acima do intervalo de tolerância estabelecido pelo governo. O impacto das altas taxas de juros também se reflete na diminuição da procura por produtos e serviços, esfriando a economia e potencialmente reduzindo a geração de empregos.








