O governo federal lança editais para 3 mil vagas de residência médica e para seleção de 900 médicos especialistas, com foco em áreas prioritárias do SUS, regiões remotas e estratégia de distribuição de profissionais, investimento de R$ 3 bilhões
O Ministério da Saúde publicou edital para oferecer 3 mil vagas de residência médica, ampliando a presença do governo federal na formação especializada de profissionais de saúde, com ênfase em áreas prioritárias do Sistema Único de Saúde, e ações para reduzir desigualdades regionais.
A contratação faz com que o governo federal passe a responder por mais de 60% do total de residentes no país, o equivalente a 35 mil profissionais, e, segundo a pasta, o investimento será de R$ 3 bilhões.
Além das vagas de residência médica, o ministério abriu um edital para seleção de 900 médicos especialistas, destinados a atuar em regiões remotas, de alta demanda e maior vulnerabilidade social, conforme informação divulgada pelo Ministério da Saúde.
Como serão distribuídas as vagas e prioridades do programa
As bolsas financiadas pelo governo federal serão voltadas para áreas classificadas como prioritárias dentro do SUS, com a estratégia, segundo a pasta, de ampliar a oferta e a distribuição desses profissionais no país. A medida integra ações de formação e qualificação profissional que, de acordo com o ministério, visam fortalecer a capacidade de atendimento em locais com carência de especialistas.
Em nota, o ministério destacou que, com políticas que integram o programa, houve expansão de programas de formação, incluindo a criação de novos programas de residência médica.
Conforme a própria pasta, “Com essa política, que integra o programa Agora Tem Especialistas, a pasta foi responsável, em conjunto com o Ministério da Educação, pela criação de 806 novos programas de residência médica, impactando na ampliação da formação de médicos especialistas no país”.
Seleção de 900 especialistas, foco regional e meta de profissionais
O edital para especialistas prevê a seleção de 900 médicos em 16 especialidades prioritárias, entre elas anestesiologia, cirurgia geral, radiologia, mastologia, ginecologia e oncologia clínica. O foco é reforçar o atendimento em áreas remotas, em municípios de alta demanda e com maior vulnerabilidade social.
Sobre a atuação atual e a meta com o novo edital, a pasta informou que “Atualmente, são 583 médicos especialistas atuando no programa em todas as regiões do país e, com o novo edital, a expectativa é chegar a 1.500 profissionais. A maior parte atua no interior (48,7%) e nas regiões metropolitanas (34%)”.
Crescimento por especialidade e o impacto no SUS
Dados do Ministério da Saúde apontam que, ao longo do último ano, houve um crescimento de cerca de 15% no número de vagas em cirurgia oncológica e em neurologia pediátrica. Em oftalmologia, o crescimento foi de 14% e em radioterapia, de 10%.
O ministério argumenta que essa ampliação da oferta de residência médica e de bolsas tem o objetivo de fortalecer a formação especializada, distribuir melhor os profissionais pelo país e reduzir desigualdades no acesso a serviços essenciais do SUS.
Posicionamento do ministro sobre formação e sistema de saúde
Em coletiva, o ministro Alexandre Padilha explicou que as medidas fazem parte de uma agenda maior de formação profissional em saúde, em parceria com o Ministério da Educação, e destacou a necessidade de qualificação continuada.
Padilha afirmou, “Estamos enfrentando dois grandes desafios no Sistema Único de Saúde do nosso país hoje. O primeiro é a própria formação profissional, em especial, dos profissionais de ensino superior em saúde, a formação especializada. Tanto a especialização, a residência médica, quanto a formação multiprofissional”.
O ministro acrescentou, “A gente não faz sistema de saúde sem bons profissionais formados, sem qualificação permanente, sem atualização permanente desses profissionais. E sem as nossas instituições formadoras se abrirem para isso”.
Em conjunto, as iniciativas sobre residência médica e seleção de especialistas representam uma aposta do governo em aumentar a capacidade de atendimento do SUS, com recursos e programas voltados para interiorização e prioridade em áreas com demanda reprimida.








