Segurança, moradia e saúde nas favelas: prioridades de 4.471 moradores, expectativas para 2026

Pesquisa Sonhos da Favela aponta que segurança, moradia e saúde nas favelas lideram as expectativas para 2026, com 31% sonhando com casa melhor e 22% querendo saúde de qualidade As favelas brasileiras reúnem uma população majoritariamente jovem, negra e trabalhadora,[…]

Ver Resumo

Pesquisa Sonhos da Favela aponta que segurança, moradia e saúde nas favelas lideram as expectativas para 2026, com 31% sonhando com casa melhor e 22% querendo saúde de qualidade

As favelas brasileiras reúnem uma população majoritariamente jovem, negra e trabalhadora, que aponta prioridades claras para o futuro próximo, entre elas moradia, saúde e segurança.

Ao projetarem 2026 para a família, os moradores deram preferência a demandas básicas, com destaque para a casa e o acesso à saúde, sinais de que a busca é por dignidade e bem-estar.

Os dados vêm da pesquisa Sonhos da Favela, realizada entre 11 e 16 de dezembro de 2025, com 4.471 entrevistas em todas as regiões do país, com ênfase no Rio de Janeiro e em São Paulo, conforme informação divulgada pelo Data Favela.

Quem são os entrevistados e como vivem

O perfil sociodemográfico mostra que 58% dos entrevistados têm entre 30 e 49 anos, 25% têm entre 18 e 29 anos, e 17% têm mais de 50 anos. Cerca de 60% são mulheres, e 75% se identificam como heterossexuais. O recorte racial indica que 8 em cada 10 moradores se declaram negros, sendo 49% pardos e 33% pretos, enquanto brancos somam 15%.

Sobre escolaridade, 8% têm ensino fundamental completo, 35% ensino médio completo, 11% ensino superior completo e 5% pós-graduação. Em relação à renda, cerca de 60% ganham até um salário mínimo, 27% recebem entre R$ 1.521 e R$ 3.040, e 15% têm faixas acima de R$ 3.040.

Leia também:  Pela primeira vez, vagas no Itamaraty reservadas para indígenas e quilombolas em concurso com 60 vagas

O mercado de trabalho nas favelas mostra mistura de formalidade e informalidade, 30% têm trabalho com carteira assinada, 34% trabalham na informalidade ou fazem bicos, 17% estão desempregados, e 8% estão fora da força de trabalho, entre aposentados e estudantes.

Prioridades: moradia, saúde e infraestrutura

Ao pensar no futuro imediato, a principal aspiração é a casa, com 31% desejando uma moradia melhor. A busca por saúde de qualidade aparece em seguida, com 22%, depois a entrada dos filhos na universidade com 12% e a segurança alimentar com 10%.

Quanto às melhorias territoriais, as respostas mais frequentes foram saneamento básico com 26%, educação 22%, saúde 20%, transporte 13% e meio ambiente 7%. Em esporte, lazer e cultura, 35% avaliaram as opções como ruim ou muito ruim, e 32% como regular.

Segurança, medo e confiança nas instituições

A pesquisa revela dificuldades em relação à segurança pública. Quando questionados sobre em quem confiam para protegê-los, 27% citaram a Polícia Militar, 11% a Polícia Civil, e 7% a facção da própria favela, enquanto a opção mais votada foi “nenhuma delas”, com 36%.

Sobre a presença policial no território, 24% preferiram não responder, 25% disseram que a presença não altera a sensação de segurança, 13% afirmaram sentir medo e insegurança com a polícia, e 22% disseram se sentir mais seguros com policiamento. Ainda assim, o maior desejo apontado foi “poder ir e vir com tranquilidade [47%]”, mostrando que o futuro é pensado a partir da sobrevivência e do medo.

Leia também:  UFPA entrega diploma simbólico a Cezar Morais Leite, assassinado durante a ditadura, e marca cerimônia

Desafios de raça, gênero e políticas públicas prioritárias

Questões de raça e gênero aparecem de forma consistente. Cerca de 50% afirmam que a cor da pele impacta nas oportunidades de trabalho, enquanto 43% dizem que não. Sete em cada dez apontam a violência doméstica e o feminicídio como o principal desafio das mulheres dentro da favela, seguido por dificuldades de emprego e renda com 43% e falta de apoio no cuidado dos filhos com 37%.

Sobre políticas públicas urgentes para as mulheres, os itens mais citados foram programas de inserção no mercado de trabalho com 62%, campanhas de educação contra o machismo com 44%, delegacias e serviços com atendimento 24h com 43% e cuidado com a saúde da mulher com 39%.

Em relação a benefícios sociais, 56% dos entrevistados afirmaram não receber nenhum tipo de benefício do governo. Entre os que recebem, o mais citado foi Bolsa Família/Auxílio Brasil, com 29%.

Vozes da pesquisa e implicações

Os resultados reforçam a ideia de que as favelas não são apenas problemas ou estatísticas, mas espaços de inteligência coletiva e estratégias de prosperar. Como disse a copresidente do Data Favela Cléo Santana, “O Data Favela acredita que mapear pensamentos, experiências e vivências de moradores de favela é, antes de tudo, um ato de reconhecimento e reparação. Favela não é só ‘problema’ ou ‘estatística’. É também espaço onde existe inteligência coletiva, cultura, empreendedorismo, inovação, verdadeiras estratégias para prosperar”.

Leia também:  Feminicídios no Brasil em 2025: recorde de 1.518 vítimas, média de quatro por dia e apelo por ação

Sobre a escuta das próprias comunidades, Cléo Santana complementa, “Ouvir quem vive a favela todos os dias muda o centro da narrativa: não se trata apenas de ‘falar sobre’, mas de construir dados com as pessoas, a partir do que elas consideram urgente, possível e necessário. Isso tem impacto direto na forma como políticas públicas são desenhadas, como empresas se relacionam com esses públicos e como a imprensa retrata as periferias”.

Os números da pesquisa Sonhos da Favela, com 4.471 entrevistas aplicadas entre 11 e 16 de dezembro de 2025 pelo Data Favela, funcionam como um megafone para ampliar demandas como segurança, moradia e saúde nas favelas, e devem orientar prioridades de políticas públicas, empresas e imprensa, caso sejam levados em conta na formulação de ações concretas.

[notification-master-subscribe-btn]

Notícias relacionadas

Encontre a notícia que você procura