Letalidade policial em alta amplia insegurança e desigualdade racial, diz Human Rights Watch

Relatório mundial 2026 da Human Rights Watch mostra que o uso irrestrito da força e a alta letalidade policial aumentam violência, insegurança e desigualdade racial nas cidades brasileiras As ações policiais com uso letal continuaram em níveis elevados em 2025,[…]

Letalidade policial em alta amplia insegurança e desigualdade racial, diz Human Rights Watch
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Relatório mundial 2026 da Human Rights Watch mostra que o uso irrestrito da força e a alta letalidade policial aumentam violência, insegurança e desigualdade racial nas cidades brasileiras

As ações policiais com uso letal continuaram em níveis elevados em 2025, segundo a Human Rights Watch, e essa estratégia tem gerado mais violência e insegurança nas periferias e favelas brasileiras.

O relatório registra números que revelam um problema estrutural, com impacto direto sobre a população negra e sobre a confiança nas instituições de segurança pública.

Os dados e análises citados a seguir foram divulgados pela Human Rights Watch e pela Agência Brasil, conforme informação divulgada pela Human Rights Watch e pela Agência Brasil.

Dados e padrão de mortes em intervenções policiais

Entre janeiro e novembro de 2025, forças policiais mataram 5.920 pessoas no país, aponta o relatório, e o peso da violência é desigual, porque os brasileiros negros têm três vezes e meia mais chances de se tornarem vítimas do que os brancos. A entidade também destaca a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, chamada Operação Contenção, que matou 122 pessoas em outubro de 2025, em ações nos Complexos da Penha e Alemão para capturar lideranças do Comando Vermelho.

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Críticas de especialistas e pedidos de mudança

Para o diretor da Human Rights Watch no Brasil, Cés ar Muñoz, a resposta de segurança baseada no confronto frontal é equivocada, ele afirma, “O que não funciona é entrar na favela atirando. Isso não desmantela grupos criminosos, só cria mais insegurança e coloca os próprios policiais em risco”. Muñoz pede ainda políticas com base em evidências, explicando: “O nosso pedido é que tenha propostas baseadas na ciência e em dados. Propostas que realmente desmantelem grupos criminosos, que atuem com base em inteligência na investigação, [de forma] independente, para identificar essas ligações ou vínculos entre grupos criminosos e agentes do Estado, e sua infiltração na economia legal”.

Saúde mental e riscos dentro das corporações

O relatório também chama atenção para as consequências internas nas forças de segurança. Em 2025, foram registrados 185 policiais mortos e 131 que cometeram suicídio, segundo dados do Ministério da Justiça, indicador que, para a HRW, reflete ou exposição desses agentes à violência e apoio inadequado à sua saúde mental.

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Corrupção, impunidade e perda de confiança

O documento e especialistas ouvidas ressaltam que abusos e corrupção nas polícias corroem a confiança das comunidades, reduzindo denúncias e a colaboração com investigações. Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirma que “Polícias violentas e polícias corruptas fortalecem a ação do crime organizado”, e lembra que “A gente não pode ignorar que essas facções só tomaram a dimensão que tomaram e se expandiram de tal forma no Brasil porque elas contam com a corrupção do Estado”. Para ela, “uma polícia violenta não é uma polícia forte, é uma polícia frágil que fica vulnerável ao crime organizado”.

A Human Rights Watch aponta ainda que a letalidade alta persiste pela falta de apuração adequada dos casos de morte por intervenção policial. Muñoz critica a subordinação da perícia à Polícia Civil no Rio de Janeiro, observando que isso impede investigações independentes e eficazes, e alerta que, embora alguns casos sejam legítima defesa, muitas ocorrências configuram execuções extrajudiciais.

Especialistas ouvidas pelo relatório defendem medidas práticas, como independência nas investigações, controle externo mais forte, uso de inteligência e políticas baseadas em dados, para reduzir a letalidade policial, recuperar a confiança social e enfrentar as conexões entre crime organizado e agentes do Estado.

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