Viseu, 02 de fevereiro de 2026

Brasilienses levam a música ao mundo, do oboé ao trombone: histórias de Ravi Shankar, Lucas Borges, Ian Coury e Matheus Donato em carreiras internacionais

A trajetória de músicos formados na mesma escola pública da capital mostra como a **música** pode alterar destinos, mesmo quando a vida começa em rotinas de trabalho e pouca renda. Do oboé ao trombone, passando pelo cavaquinho e pelo violão,[…]

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A trajetória de músicos formados na mesma escola pública da capital mostra como a **música** pode alterar destinos, mesmo quando a vida começa em rotinas de trabalho e pouca renda.

Do oboé ao trombone, passando pelo cavaquinho e pelo violão, ex-alunos voltam à escola para ensinar técnica e também para contar que a **música** foi a ponte para oportunidades fora do Brasil.

As informações e relatos foram reunidos conforme informação divulgada pela escola de música de Brasília.

Da feira ao oboé

A história de Ravi Shankar Domingues resume a força transformadora da **música** nas vidas dos brasilienses. Aos 10 anos, ele ajudava a avó a vender pano de prato na feira e concilia estudos, coral e uma banda de forró com a rotina de quem mora na área rural de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás.

Na adolescência, um amigo da família o levou até a escola de música da capital para que conhecesse o oboé. A distância não foi barreira, e Ravi saía de casa às 4h30, contando com a ajuda de uma tia e com apresentações na cidade para pagar transporte.

Ao relembrar o passado, ele afirma, “Eu passo por esse corredor da escola e está tudo ainda vivo na minha cabeça. Eu vejo nos atuais alunos histórias como a minha”.

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O encantamento pelo oboé veio junto com desafios, porque muitas pessoas diziam que o instrumento era caro e poderia oferecer menos oportunidades no mercado. A previsão estava errada, e a **música** abriu caminhos para uma carreira internacional e para a docência.

Ravi, hoje com 42 anos, estudou na Universidade de Brasília, passou por orquestras em São Paulo, foi recomendado para estudos em Rostock, Alemanha, integrou a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais por seis anos e atualmente é professor da Universidade Federal da Paraíba, a UFPB.

Formação, retorno e conexão com a escola

O diretor da escola enfatiza o valor de ex-alunos que retornam para ensinar, “A função principal do curso é formativa. Trazer ex-alunos, hoje internacionalmente reconhecidos, é a melhor forma de mostrar aos participantes o valor do conhecimento”, disse Davson de Souza.

Ravi ressalta o papel acolhedor da escola, “A escola de música ensinou mais do que o instrumento. Me deu toda a acolhida e pude ter aula de prática de orquestra, inclusive”.

Na UFPB, ele também ajudou a criar estruturas de apoio à profissão, entre elas a Associação Brasileira de Oboé e Fagote e a Rede Brasileira de Saúde do Artista, “O objetivo dessa rede é discutir condições de trabalho para as pessoas entenderem que a nossa profissão é um trabalho”.

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Do carnaval e da banda marcial a universidades internacionais

O trombonista Lucas Borges, de 44 anos, também é exemplo de como a **música** pode transformar. Formado na mesma escola, ele tocava na banda marcial do Guará e lembra que o primeiro trombone foi comprado com o dinheiro do bloco de carnaval.

Ele relata, “Com os primeiros R$ 500 que ganhei no bloco. O trombone é um instrumento que se aproxima muito da voz humana, e aquilo me endoidou”.

Lucas seguiu a carreira acadêmica, fez mestrado e doutorado na Universidade de Indiana e hoje é docente na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, onde leciona há 11 anos.

Outro nome formado na escola, José Milton Vieira, saiu da banda do Guará e hoje toca na Orquestra Filarmônica de Melbourne, na Austrália. Sobre voltar à escola ele disse que “É muito bom voltar onde tudo começou”.

Sons brasileiros em diferentes continentes

Além dos instrumentos de sopro, jovens brasilienses seguem pelo mundo com violão e cavaquinho. O violonista Ian Coury, de 24 anos, fez curso em Berklee, em Boston, e diz, “Agora, eu sou músico mesmo. Eu viajo, faço workshops e shows no mundo todo”.

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O cavaquinista Matheus Donato, de 26 anos, começou na escola aos 10 anos e hoje vive em Paris. Ele aponta que, na Europa, o olhar muitas vezes despreparado sobre o cavaquinho pode abrir espaço para experimentações, “Na Europa, há, às vezes, olhares sem nenhum conhecimento sobre o cavaquinho o que deixa o terreno ainda mais aberto e mais fértil para a experimentação musical, que é a minha maior bandeira hoje com esse instrumento”.

Essas trajetórias mostram que a **música** cursada em escolas públicas pode ser alavanca para carreiras que cruzam continentes, seja na performance, seja no ensino e na organização de redes profissionais.

Ao voltar para dar aulas no curso internacional de verão, os músicos não apenas ensinam técnica, eles dividem trajetórias, mostram possibilidades e renovam a conexão entre formação local e circuitos globais da **música**.

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