Frei Sérgio Görgen morreu nesta terça-feira, aos 70 anos, deixando marcada a sua trajetória como liderança do movimento camponês e criador do Movimento dos Pequenos Agricultores, o MPA. Sobrevivente do Massacre da Fazenda Santa Elmira, ele se tornou referência na defesa da agricultura familiar e da agroecologia.
Religioso, escritor e intelectual de causas populares, Frei Sérgio combinou atuação política e espiritual para dar voz aos trabalhadores do campo. Sua ação se concentrou em denunciar a exploração e em articular redes de resistência, educação e produção camponesa.
Conforme informação divulgada pela Agência Brasil, movimentos sociais, partidos e autoridades destacaram o impacto de sua obra e de sua atuação pública, que se estendeu da organização no campo às lutas por soberania alimentar e reforma agrária.
Trajetória, organização e legado
Frei Sérgio foi peça central na fundação do MPA em 1996, resposta às secas e à necessidade de representação dos pequenos agricultores. Em nota, a organização afirmou, “Frei Sérgio dedicou sua existência à articulação política e espiritual dos excluídos. Foi peça fundamental na fundação do MPA em 1996, nascido da urgência das secas e da necessidade de voz para o pequeno agricultor”.
Além da militância, deixou obras de referência, como Trincheiras da Resistência Camponesa e A Gente Não Quer Só Comida, nas quais teorizou e denunciou a exploração sofrida pelos camponeses e defendeu a agricultura camponesa como modo de vida e resistência.
Reações do PT, do presidente e de lideranças
O Partido dos Trabalhadores divulgou nota ressaltando a vida pública de Frei Sérgio, “Frade franciscano, ex-deputado estadual, filiado ao PT desde 2000 e dirigente histórico do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Frei Sérgio foi exemplo de luta pelo povo do campo, pela agricultura camponesa, pela reforma agrária e soberania alimentar. Foi uma liderança incansável no combate à fome e na construção da defesa da agricultura camponesa como modo de vida e resistência”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte e lembrou o apoio espiritual que recebeu, dizendo, “A fé e as sábias palavras de Frei Sérgio durante suas visitas em Curitiba me ajudaram a atravessar com força e esperança os momentos difíceis da prisão injusta a que fui submetido. Ele carregava consigo uma história de vida exemplar. De luta e de sacrifícios pessoais – incluindo greves de fome – para garantir os direitos daqueles que vivem da agricultura familiar”.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também destacou que Frei Sérgio “uniu fé e compromisso com o povo do campo, dedicando a vida à soberania alimentar, à agroecologia e à justiça social”, e afirmou, “Seu legado segue vivo na resistência e na esperança”.
Memória do movimento camponês e desafios futuros
A morte de Frei Sérgio deixa, segundo o MPA, “um vazio imenso na luta social brasileira”, mas reforça o legado de organização popular e de defesa da soberania alimentar. Sua trajetória combina enfrentamento a violações históricas, como o Massacre da Fazenda Santa Elmira, com propostas de construção de alternativas produtivas e sustentáveis para a agricultura familiar.
O desafio agora é manter vivas as práticas e os ensinamentos deixados por ele, fortalecendo políticas públicas que valorizem o pequeno agricultor, a agroecologia e a segurança alimentar em um país com profundas desigualdades no campo.
Obras e referências
Entre seus livros, Trincheiras da Resistência Camponesa e A Gente Não Quer Só Comida permanecem como fontes para estudar a história das lutas camponesas e as propostas pela soberania alimentar. O legado de Frei Sérgio seguirá sendo lembrado por organizações sociais, movimentos do campo e por quem busca alternativas à concentração de terra e à fome.
Conforme a Agência Brasil, o movimento, o PT, lideranças e o presidente registraram mensagens de pesar que reforçam a relevância de sua obra para a construção de políticas voltadas ao campo e à agricultura familiar.








