Viseu, 02 de fevereiro de 2026

Grupo de Trabalho da Maré terá 90 dias e R$ 170 milhões para plano que pode virar modelo nacional

O governo federal anunciou a criação do Grupo de Trabalho da Maré, que terá 90 dias para apresentar um plano integrado para o conjunto de favelas da Maré, no Rio de Janeiro. A iniciativa visa articular políticas públicas e fortalecer[…]

Grupo de Trabalho da Maré terá 90 dias e R$ 170 milhões para plano que pode virar modelo nacional
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O governo federal anunciou a criação do Grupo de Trabalho da Maré, que terá 90 dias para apresentar um plano integrado para o conjunto de favelas da Maré, no Rio de Janeiro. A iniciativa visa articular políticas públicas e fortalecer a participação social no território.

Segundo o anúncio, a comunidade receberá a maior liberação de recursos de sua história, com R$ 170 milhões destinados a obras de urbanização, infraestrutura, regularização fundiária, além de iniciativas como saúde digital e telemedicina. A proposta também prevê habitação e ações de médio e longo prazo.

O GTT Maré reúne representantes de ministérios, universidades e instituições federais, e pretende funcionar como um embrião de modelo de intervenção territorial que possa ser replicado em outras comunidades. A informação foi divulgada pela Secretaria-Geral da Presidência da República.

Como funciona o Grupo de Trabalho

O Grupo de Trabalho da Maré foi anunciado na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e nasce de “escuta qualificada das organizações comunitárias do território”, em especial da Articulação Redes da Maré e das 16 associações de moradores. O GTT integra ministérios, universidades e outras instituições federais para atuar de forma coordenada em saúde, igualdade racial, direitos sociais, habitação, segurança cidadã e participação social.

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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que a iniciativa segue orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de aproximar o governo das comunidades. Em suas palavras, “O que está sendo anunciado hoje aqui segue orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de levar o governo e a realização do governo do Brasil para perto do povo, para onde está o povo”.

Recursos, obras e serviços previstos

O pacote de investimentos inclui R$ 170 milhões para um conjunto de obras voltadas à urbanização e infraestrutura, além de medidas como regularização fundiária e ações voltadas à saúde digital e telemedicina. A expectativa oficial é também a construção de 600 unidades habitacionais na Maré, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida.

Sobre atuação integrada com segurança pública, o ministro disse que pretende levar agentes do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, o Pronasci. Na cerimônia, Boulos ressaltou que “Tem que chegar com moradia, saúde, política de emprego”, entre outras iniciativas, e que a política deve “tratar o povo como gente, não como número, que trata com respeito”.

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Participação social e voz das lideranças

A proposta do GTT foi construída a partir do diálogo com lideranças locais e organizações comunitárias. A presença de lideranças no processo é destacada como central para construir ações integradas e sustentáveis no território. Após o anúncio, ministros e representantes do governo foram à Maré para ouvir moradores e lideranças.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que nasceu no Complexo da Maré, destacou a multiplicidade de frentes necessárias para melhorar a vida na comunidade, afirmando, “São várias etapas e várias vertentes. Tem saúde, educação, cultura, esporte, lazer. Não é de uma só maneira que a gente consegue combater o racismo no nosso país, principalmente em uma sociedade que insiste em dizer que ele não existe”.

Potencial de replicação para outras comunidades

O governo diz que o trabalho do GTT Maré pode resultar na criação de um modelo de intervenção territorial a partir do diálogo com lideranças, com ações integradas que sirvam para outras comunidades. Boulos considerou o projeto como um protótipo, um “embrião” que pode fortalecer o tratamento respeitoso às periferias do país, citando que a intenção é que todo o povo da periferia seja “tratado com respeito, como é tratado o ricaço da Barra da Tijuca”.

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Se implementado de forma coordenada, o GTT pode combinar medidas de infraestrutura, políticas sociais, saúde e segurança cidadã, com participação comunitária, criando um roteiro replicável para outros territórios que enfrentam desafios semelhantes em cidades brasileiras.

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